POR DO SOL

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Pontal do Atalaia

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Avaliação de Desempenho no Mundo Corporativo

Terminei ontem de ler o livro Mentes e Manias da Psiquiatra Dra. Ana Beatriz Nogueira e quero recortar alguns trechos que considerei especialmente coerentes do livro dela e se possível comentá-los. Acho a visão corporativa da maioria das empresas por vezes covarde (por não ter coragem de mudar) e/ou míope (por não enxergar a diminuição de geração de valor devido a gargalos criados por vaidade e disputas internas entre membros da mesma equipe) sobre o processo de avaliação de talentos, pois as corporações procuram um extraterrestre (algum ser ideal que pelo menos na face da Terra não existe) para habitar nela, vejo um monte de paradoxo sendo exigidos como características profissionais ao mesmo tempo, características, por exemplo, de liderança e trabalho em equipe!!! Em primeira análise essas qualidades poderiam ser complementares, mas na prática exigir liderança dos membros da equipe é pedir para os mesmo disputarem, se engalfinharem por um lugar melhor ao sol, e muita das vezes esquecendo até mesmo da ética, da moral e o respeito pelo ser humano, passando por cima até mesmo do princípio da dignidade humana para conseguir o feito, já que a "balela" de carreira em Y (carreira de especialização e carreira gerencial) não existir aplicada na pratica!!! Ou seja, todos vão querer ser líder, ninguém vai querer ser especialista!!! Quantos especialistas conseguem destaque igual ou maior do que um Gestor? Quantos especialistas conseguem maior retorno que um Diretor? Bem, eu não conheço nenhum!!! e Torço para eu estar redondamente enganado, torço para me desmentirem em termos estatísticos!!! mas a VERDADE é que as empresas incentivam os funcionários a disputarem entre si, e em meio a tudo isso, onde entra o trabalho em equipe? (rsrs) Me respondam, qual sujeito vai querer ajudar o seu próximo a ser seu superior subtraindo-o a própria oportunidade que poderia ser sua mesmo? Isso sem contar nas constatações de pesquisas da Dra. Ana Beatriz sobre raciocínio lógico versus comunicação verbal. É bem verdade que virou moda usar o jargão "Quebrar Paradigma" como disse segunda-feira (28/12/2009) o Consultor Max Gehringer para a Rádio CBN em seu comentário diário (http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/max-gehringer/2009/12/28/A-QUEBRA-DE-PARADIGMAS-EM-EMPRESAS.htm), mas no caso de avaliação de talentos vejo falta de lógica e até mesmo inteligência por parte das empresas, fazendo uma analogia entre a empresa e a família não acho inteligente um Pai colocar os filhos para exercer liderança uns sobre os outros, pois todos os irmãos não serão amigos, pois um vai disputar com outro "o trono" e a amizade e amor entre eles (na empresa isso se dá através do trabalho em equipe) não existirá ou pelo menos não será maximizado (relação perde x perde), desta forma não estará sendo maximizado o valor para a empresa. Achei o enfoque dela de valorizar as qualidades muito mais produtivo do que o de procurar deficiências.

Boa leitura!

Mentes e Manias - Ana Beatriz Nogueira Silva - Trecho do Capítulo 14 DIFERENÇAS QUE SOMAM E MULTIPLICAM TALENTOS: A NOVA IDEOLOGIA DE TRABALHO

"Muitas empresas fazem simpósios e treinamentos, adotam uma postura teórica de valorizar talentos, mas na prática exigem que esses talentos façam muito bem aquilo para o qual são bem-dotados, assim como devem também ser organizados, empreendedores, criativos (mas que sigam regras), de boas habilidades pessoais e, contudo, ser capazes de tudo em nome da competitividade. Devem, em suma, ”assoviar e chupar cana” ao mesmo tempo.

Pesquisas recentes têm demonstrado que, quando somos muito bons em determinadas áreas, como as que exigem habilidade matemática e extrema concentração, por exemplo, certamente iremos ”pagar” por isso tendo certo déficit em habilidades de comunicação, pois não existe cérebro perfeito e, portanto, bom em tudo. Excelentes oradores e redatores, dotados de grande raciocínio verbal, podem ter dificuldades com o uso do raciocínio espacial, por exemplo.

No entanto, ainda vigoram velhos padrões de avaliação do desempenho pessoal e profissional que, mesmo ultrapassados, permanecem enraizados na modernidade, como parte de uma cultura modelizante (que segue um modelo velho). Em sua prática cartesiana, rotulam os seres humanos, da mesma forma com que marcam seus produtos.

Sugiro um novo olhar sobre as pessoas, voltado mais às habilidades que às deficiências. Quando somos valorizados, é mais fácil aceitarmos nossos pontos fracos e buscarmos maneiras de nos superar ou mesmo conviver de forma transcendente ou mais harmoniosa com nossas imperfeições humanas."

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